
Data de lançamento: 8 de Junho de 1992
Local e data de produção: Coast Recorders e Brilliant Studios, San Francisco, California; Janeiro – Março de 1992
Géneros: Rock experimental, Metal alternativo, Metal Avant-garde
Duração: 58:49
Editora: Slash
Produtores: Matt Wallace, Faith No More
Faixas:
1 - Land Of Sunshine
2 - Caffeine
3 - Midlife Crisis
4 - RV
5 - Smaller And Smaller
6 - Everything's Ruined
7 - Malpractice
8 - Kindergarten
9 - Be Agressive
10 - A Small Victory
11 - Crack Hitler
12 - Jizzlobber
13 - Midnight Cowboy
14 - Easy
Eles fundem géneros músicais, eles são dados a contraversias, eles têm uma energia inesgotavel, eles experimentam e inventam, eles acabaram em 1998 e voltaram no ano passado e vêm a Portugal pelo segundo ano consecutivo. Falo (ou escrevo), claro, acerca dos Faith No More, banda californiana que viu a sua carreira sofrer diversas mutações sonoras ao longo dos anos.
"Angel Dust" é, sem dúvida, um álbum especial, por diversos motivos. Marcou a primeira passagem da banda por Portugal para, juntamente com os grungers Soundgarden, abrirem para os Guns N' Roses em 1992, numa abertura marcada pela reação entusiasta do público quando Mike Patton (vocalista dos Faith No More) lhes pediu para atirarem lixo para o palco enquanto tocavam "Epic" (vídeo mais abaixo). Para além disso, este foi o último album a contar com o exuberante Jim Martin na guitarra (actualmente concentrado no seu negócio de cultivo de abóboras) e o primeiro a ver Mike Patton inserido na composição músical de um album.
O quarto registo de estúdio dos Faith No More abre repentina e explosivamente com "Land Of Sunshine", a primeira de duas músicas que Mike Patton escreveu durante uma experiência de privação de sono. As letras da música foram retiradas de mensagens dentro de "bolinhos da sorte" e ainda de um teste de personalidade da Universidade de Oxford (bizarro, não?). Segue-se "Caffeine", a segunda e última música escrita durante a experiência de Patton já mencionada. É pura violência sónica em compasso ternário. A meio, há um periodo calmo que serve de introdução para um autêntico festival de berros doentios de Mike Patton, que parece perder a cabeça por uns breves segundos. Aviso: contem, tal como "Land Of Sunshine", uma melodia maquiavélica. E é assim que chega o primeiro single do album, "Midlife Crisis". A sonoridade é bem diferente das duas músicas anteriores, e combina um rap gutural de Patton com melodias magnificamente cantadas. Uma excelente música para o headbanging, cujo título não parece ser o tema da canção (diz Patton que é acerca de ser emocional e criar falsas emoções...). De seguida vem "RV" uma música com um estilo peculiar e que já andava a ser tocada desde a digressão do album anterior, "The Real Thing". É calma, e Patton não canta nem berra nos versos... fala. Se ouvirem o album, percebem que esta é uma das músicas com mais classe do album (nada que "Easy" não bata). "Smaller And Smaller" dá mais algum destaque à guitarra de Jim Martin, que viria a revelar-se insatisfeito com o album, e que tem aqui o seu primeiro solo. Toda a canção é complexa: melodias instrumentais orientais, a voz de Patton tão depressa limpa como suja, com gritos algo bizarros... insere-se bem no ambiente e ritmo do album. Chega "Everything's Ruined", com uma introdução no piano, que não tarda muito dá lugar a um som mais energético. Há aqui mais um solo de Jim Martin, e um refrão muito simples: "Now Everything's Ruined, yeah". "Malpractice" contem uma introdução que parece saída de um album de Death Metal. As mutações são constantes e desiquilibradas, e contam com vocais ora harmonizados, ora berrados ao ponto da loucura por Mike Patton, juntamente com guitarras com uma carga profundamente elevada de distorção e até feedback e ainda teclados, no mínimo, sinistros. Segue-se "Kindergarten", num registo algo mais calmo e propício àqueles momentos de "ponham as mãos no ar!", com Patton a fazer rap nos versos e a cantar, no refrão: "Kingdom, kindergarten, born late, will I graduate?". Há ainda o uso de megafone no meio e perto do final da canção. Chega "Be Agressive", cuja letra contou com a participação do teclista Roddy Bottum, e, segundo consta, fala acerca de sexo oral (qualquer tema serve para uma música... XD). Temos "A Small Victory" a seguir, com uma melodia de teclados nos versos que parece vir das terras do sol nascente. Mike Patton disse que esta música marcadamente "radio-friendly" é acerca de não se poder ganhar sempre. Aparece "Crack Hitler", que começa com o som da guitarra com o efeito "Wah-Wah", mas acaba por passar para um melodia que (finalmente) dá destaque ao baixo. Segue-se o uso de megafone (que se ouve ao longo de toda a canção) e, de repente, uma secção ritmicamente mais calma com uma carrada de "Hey's" cantados por toda a banda. Chega-nos a antepenúltima música, "Jizzlober", que foi muito influênciada por Jim Martin, tendo contado com a sua composição. Mike Patton dá-nos uma voz marcadamente distorcida, e o baterista, Mike Bordin, oferece-nos ainda uma secção cujo ritmo faz lembrar "We Will Rock You", dos Queen. Vá, mais uma canção bizarra e cheia de mutações, aqui a terminar com o som do orgão... Já perto do final, surge uma música completamente instrumental: "Midnight Cowboy", do filme com o mesmo nome, e que tem como tema a homosexualidade. O papel dos teclados é, aqui, fundamental. E, para concluir o album em beleza, chega uma soberba cover de "Easy", tema dos The Commodores. Lembro-me, curiosamente, de ouvir este tema em criança na RFM, e cantá-lo no carro, mesmo inventando as palavras (eu não sabia uma única palavra em inglês... nem "hello"). Pura classe a pôr um ponto final neste album...
Penso que, à excepção de uma ou duas músicas sonicamente desiquilibradas, o album está muito bom. Os Faith No More estavam em grande nesta época e com um nivel de popularidade crescente que, na minha opinião, se revelou justo. São estes os génios que vão estar, esta quinta-feira, no Optimus Alive.
Avaliação: 18,6
Aqui fica o vídeo de "Midlife Crisis":
Lembram-se quando vos falei do primeiro concerto da banda em portugal e da reacção do público? Pois bem, aqui vai o vídeo dessa reacção, com comentários de Roddy Bottum e Bill Gould, que inclusivamente se enganam na cidade, dizendo que foi em Espanha e não em Lisboa: